A culpa não é tua — é um condicionamento milenar.
Não és a criatura que, por milênios, te fizeram acreditar que és: pecador e réu permanente, colocado em julgamento pela própria consciência induzida, acusado de ter feito mau uso do chamado livre-arbítrio.
Por meio de mentiras e condicionamento massivo, levaram o ser humano a viver sem paz, impedindo-o de acessar, sem submissão, um estado genuíno de felicidade.
Teu verdadeiro guardião é o subconsciente.
Ele orienta por meio de um vasto armazenamento de experiências acumuladas ao longo do tempo. Uns chamam de intuição, outros de premonição. Trata-se, na verdade, de um mecanismo profundamente sábio, parte real do teu ser. Ele se manifesta, reage e alerta quando a segurança exige atenção.
Por isso, ao tomar decisões, é sempre mais prudente ouvir os sinais que emergem do íntimo. Os pressentimentos são sinceros contigo, pois não têm interesses externos. Quando surgirem dúvidas, não as ignores: elas nunca são casuais. Indecisão é alerta de riscos.
Cuidado ao dizer “sim” ou “não”. Sempre adie decisões importantes em suas respostas. Dá tempo à análise, permita que a razão caminhe junto a percepção interna.
Acende uma pequena luz com tua imaginação.
Reconhece que não tens as cores da plumagem dos pássaros — mas podes criá-las. Toma consciência da tua capacidade.
Liberta-te dos mitos e vive sem medo. Noventa e nove por cento dos problemas cotidianos são gerados por nós mesmos, fruto de escolhas equivocadas: sejam íntimas, ligadas a credos, políticas, relações ou comportamentos.
Historicamente, para transferir responsabilidades pela má gestão política, pelo desequilíbrio social, pela criação de classes e castas, e também pela falta de convencimento das religiões — por serem elas frutos da imaginação somada à superstição —, afirmaram friamente que todo contratempo, dor, sofrimento, dificuldade e até a morte seriam consequência do pecado, uma afronta contra Deus.
Essa mentira atravessou gerações.
Enquanto isso, acumulavam bens materiais de valores inimagináveis. Mesmo quando alguma instituição religiosa realiza ações assistenciais, o que retorna aos necessitados não alcança sequer uma milionésima parte do que foi arrecadado ao longo do tempo.
Transferiram aos homens a culpa pelos próprios erros e os condicionaram a acreditar no livre-arbítrio como verdade. Ainda hoje muitos acreditam nisso. Um engodo. Não há liberdade plena de escolha à disposição do ser humano.
Nascemos, precisamos nos alimentar, dormir, sentimos fome, sono, dor, desejo, necessidade de reprodução. Envelhecemos e morremos. Não escolhemos nossos pais, o passado, nem o futuro. Estamos sujeitos à gravidade, às ilusões e, se não estivermos atentos, às induções que beneficiam outros.
Pensamos saber. Imaginamo-nos livres.
Mas permanecemos presos — até que a consciência desperte.