Translate

Sistemas não são importantes: importância devemos dedicar a vida enquanto pudermos.

 

Liberdade relativa e o peso do capitalismo.

 Democracia costuma ser apresentada como o ápice da liberdade humana: o cidadão vota, escolhe seus representantes entre outros previamente já preparados com riscos de atenderem interesses de grupos e não de nação, tem — em tese — o direito de sonhar e realizar o que quiser. Mas essa liberdade, quando observada de perto, se revela bastante relativa.  

Ela existe no papel, na letra da lei, mas esbarra todos os dias em condições materiais que a esvaziam. De que adianta o direito de sonhar se as estruturas econômicas em que esse sonho precisa se realizar já nascem desiguais? 

É aqui que entra o problema: a democracia, do jeito que a conhecemos, não caminha sozinha — ela caminha de mãos dadas com o capitalismo. E é justamente essa combinação que dificulta o progresso real do cidadão comum.  

Não é a democracia em si que falha, é o sistema econômico que a sustenta, (pessoas) que transformam a liberdade política em algo abstrato quando não vem acompanhada de acesso à educação de qualidade, à saúde, ao tempo livre para pensar, criar, se desenvolver. A liberdade sem condições de exercê-la é, na prática, uma liberdade decorativa.  

Comunismo, socialismo, ao menos na sua formulação teórica, nasceu como resposta a exatamente esse problema. Se bem conduzido — e aqui o "se" é enorme, porque a história mostra distorções sérias em experiências concretas —, ele propõe atender primeiro ao que é básico: as necessidades fundamentais do ser humano, entre elas o acesso ao conhecimento, à cultura, ao desenvolvimento pessoal, sem que isso dependa do quanto alguém acumulou.  

A ideia central não é impedir que as pessoas prosperem, mas impedir que a prosperidade de poucos se construa sobre a escassez estrutural de muitos. 

E é isso que me leva a pensar sobre o acúmulo em si. Existe um ponto em que a posse deixa de ser conquista e vira compulsão. Quando o excesso patrimonial já não tem função — não gera bem-estar adicional, real, não é usado, apenas se acumula como número, como símbolo —; ele começa a se parecer menos com sucesso e mais com uma espécie de sintoma. Não é exagero comparar esse tipo de acúmulo desmedido a uma doença: uma necessidade compulsiva de ter mais, mesmo quando o "mais" já não significa nada além de condição. 

Talvez o verdadeiro avanço não esteja em escolher entre democracia e comunismo como rótulos prontos, mas em questionar por que insistimos em sistemas que toleram — e até incentivam — esse tipo de acúmulo patológico, enquanto tratam o acesso ao conhecimento e às condições básicas de vida como privilégio, e não como direito. red9juarez


A verdadeira liberdade começa quando deixamos de aceitar respostas prontas e passamos a construir nossas próprias perguntas.

 

Pensar é natural. Pensar com independência, responsabilidade e consciência talvez seja uma das maiores conquistas da inteligência humana.

O problema não é crer

É como ceder a própria consciência a outra pessoa para que ela pense por você.


Durante a vida, muitos acreditam que pensar é suficiente. Entretanto, grande parte de nossos pensamentos nasce sob forte influência da cultura, da educação recebida, dos costumes, dos instintos e das experiências acumuladas ao longo da existência. Poucos percebem o quanto suas escolhas continuam sendo moldadas por condicionamentos que jamais foram verdadeiramente examinados.

Assim, mesmo quando alguém se dedica honestamente ao trabalho, à pesquisa ou à realização de projetos pessoais e sociais, pode agir de maneira incoerente sem sequer perceber. Não se trata necessariamente de má-fé, mas da dificuldade humana de reconhecer os próprios condicionamentos.

Essa influência alcança praticamente todos os setores da sociedade.

No campo do Direito, por exemplo, magistrados, jurados, promotores e advogados dedicam anos ao estudo para exercer funções de enorme responsabilidade. Ainda assim, continuam sendo seres humanos, portadores de experiências, crenças e valores adquiridos durante toda a vida. Nenhum conhecimento elimina completamente a possibilidade de interpretações diferentes ou de equívocos. Quanto maior o poder de decidir sobre a vida de outras pessoas, maior deveria ser o compromisso com a prudência, a reflexão e a imparcialidade.

Sempre que escrevo, procuro evitar qualquer forma de indução religiosa ou filosófica. Minha intenção não é substituir uma crença por outra, mas estimular o leitor a observar o mundo por si mesmo.

Vivemos em uma realidade na qual a vida depende da vida. A natureza se mantém por ciclos permanentes de transformação, nos quais a predação participa do equilíbrio biológico. Nós também fazemos parte dessa dinâmica.

Ao longo da história, a humanidade criou dezenas de milhares de representações do divino. Cada povo, cada cultura e cada época elaboraram suas próprias imagens, símbolos e interpretações. Dizer simplesmente que existe um único Deus talvez seja, antes de tudo, uma afirmação de fé. Do ponto de vista histórico, porém, percebe-se que diferentes sociedades compreenderam o sagrado de maneiras muito distintas.

Talvez isso revele mais sobre a natureza humana do que sobre a própria natureza do universo.

Enquanto existirem pessoas, provavelmente continuarão existindo diferentes formas de compreender aquilo que chamamos de Deus, transcendência ou sentido da existência.

A pergunta que considero importante não é qual crença alguém adota.

A pergunta é:

Até que ponto nossas crenças influenciam as decisões que tomamos sobre a vida dos outros?

Essa reflexão torna-se ainda mais relevante quando observamos líderes políticos, autoridades públicas e pessoas investidas de poder.

Como alguém pode agir com verdadeira justiça se suas decisões estiverem fundamentadas apenas em verdades recebidas, jamais examinadas criticamente?

Uma sociedade livre depende de cidadãos capazes de pensar, questionar e aprender continuamente.

Por isso considero que a educação das crianças talvez seja uma das maiores responsabilidades da humanidade.

Desde cedo, elas deveriam compreender que possuem valor por serem humanas, aprender a respeitar a si mesmas, aos outros e à natureza, desenvolvendo senso crítico suficiente para não aceitarem passivamente qualquer imposição que transforme pessoas em instrumentos de exploração, violência ou servidão.

Educar não significa ensinar o que pensar.

Significa ensinar como pensar.

Quando uma sociedade deixa de investir nessa formação, abre espaço para que novas gerações reproduzam antigas formas de fanatismo, intolerância e violência.

A história demonstra isso repetidamente.

Sempre que líderes transformam crianças em vítimas de guerras, utilizam populações como instrumentos de poder ou promovem destruição em benefício de interesses particulares, não estamos diante de exemplos de grandeza, mas do fracasso da própria civilização.

Se existisse uma justiça absolutamente perfeita governando imediatamente os atos humanos, aqueles que deliberadamente promovem massacres, destruição e sofrimento jamais seriam apresentados como modelos de liderança ou dignidade.

Cada leitor fará suas próprias escolhas.

E assim deve ser.

O que jamais devemos permitir é que outros escolham permanentemente por nós aquilo que devemos pensar.

Vivemos em um universo cuja existência ainda desafia nossa compreensão. A natureza pode parecer violenta, imprevisível e indiferente às expectativas humanas. Isso não significa que devamos reproduzir essa violência em nossas relações.

Pelo contrário. Isso sim, pode-se nominar como evolução: integrar-se à natureza sem fazer uso de sua violência. 

Talvez nossa maior conquista seja justamente utilizar a inteligência para diminuir o sofrimento que a própria natureza jamais se preocupou em eliminar.

Por isso, não deixe de ser feliz nesta breve existência.

Cultive amizades sinceras.

Aprenda continuamente.

Aproxime-se das crianças, pois nelas ainda floresce grande parte da curiosidade natural que os adultos frequentemente perdem.

Desconfie daqueles que afirmam possuir respostas definitivas para todos os mistérios da existência.

Quem realmente ama o conhecimento costuma oferecer perguntas antes de oferecer certezas.

E talvez seja exatamente essa disposição para continuar aprendendo que mantenha viva a mais bela característica da inteligência humana.

A vida é muito curta para ser vivida apenas seguindo a opinião dos outros. Estude, pergunte, respeite, escute, escolha e nunca perca sua capacidade de pensar. Nenhuma crença deve ocupar o lugar do que a sua consciência, com o conhecimento e a honestidade intelectual, pode criar.

A liberdade começa quando deixamos de repetir aquilo que nos ensinaram e passamos a compreender por que acreditamos no que acreditamos.

red9juarez



Da agradável fantasia à dura realidade e irresponsabilidade.

 Quem sabe o maior engano da humanidade seja pensar que ser inteligente é o mesmo que ser racional.

 Enquanto tentamos explicar o universo, continuamos ignorando a norma que governa a própria vida.

O cosmos segue uma ordem grandiosa; nós, porém, insistimos em submeter tudo aos limites do nosso egocentrismo.

A verdadeira qualificação para conduzir a humanidade talvez não seja ensinada em nenhuma universidade.

A diversidade de personalidades e a enorme capacidade intelectual que reside entre os indivíduos humanos, de um lado, permitem que se desenvolvam e aperfeiçoem competências que resultam em conquistas, pequenas e grandes. No entanto, favorece a instabilidade, de vez em quando, o poder de tomada de decisões estar nas mãos de gestores cidadãos sem a mínima qualificação, qualificação esta que não se obtém em universidades tradicionais. O harmonioso arranjo dos astros no universo não se baseia em ensinamentos acadêmicos ou na tradição de sistemas. Líderes e figuras proeminentes em nossa sociedade não tomam suas grandes e significativas decisões, nem mesmo as insignificantes, apenas com uma oratória impecável e persuasiva.  

Da agradável fantasia à dura realidade.  

Racionalidade e inteligência. A gravidade, que resulta da atração de uma enorme quantidade de diversos minerais e gases, sujeitando-se ao magnetismo gerado pela rápida rotação, tanto em relação a si mesma quanto em relação ao espaço, e seguindo trajetórias determinadas pela atração de sua estrela, não se torna algo estranho quando perfeitamente combinado com o fato de que é igualmente consequência da mesma origem, cuja natureza nos escapa, excluindo todas as suposições sobre tudo aquilo que consideramos como produto de um plano racionalmente elaborado, que não é precisamente fixo para a eternidade, mas que está em constante transformação em busca de ajustes ideais, evidentemente fogem aos nossos limites, estrangulando os sentidos fisiológicos, quando tentamos adequar toda essa complexidade e grandeza do cosmos à nossa insignificante e destrutiva utilização da inteligência. 

Egocentrismo é, assim como a gravidade, um concentrador dos desejos destrutivos tanto do ser humano quanto das outras espécies. 

Todas as criaturas vivas estão sob uma norma que ainda não se chegou a entender plenamente, e podemos afirmar, sem medo de errar, que essa norma é ignorada pela maior parte dos maiores pensadores e intelectuais de todas as épocas da nossa civilização.

red9juarez 



https://studio.youtube.com/video/QTrASIkPDto/edit

Vídeo complementar desta página

"O monopólio nuclear e a ilusão da paz: até quando aceitaremos o silêncio que precede a escravidão global?"

 


Erro Global

 

 "Diante de um cenário geopolítico moldado pela arrogância e pelo poder de destruição em massa, analisar o histórico de nossa própria espécie torna-se um alerta urgente para a sobrevivência e a liberdade das futuras gerações."

A divisão do mundo entre poucas nações detentoras de armas nucleares e outras desarmadas representa um erro fatal e global.

 A interferência e a imposição externa utilizam o falso argumento de que o monopólio dessas armas garante a segurança de todos — uma tentativa de manipular uma opinião pública parcial. Na realidade, não há qualquer garantia de que esse arranjo assegure a sobrevivência da espécie humana. 

É um absurdo tentar moldar o caráter e as decisões das nações por meio de pressões e ameaças externas ao raciocínio e ao próprio corpo físico. Essa intromissão é movida pela arrogância, vaidade e ambição. Impulsionados por uma ilusória supremacia absoluta, esses líderes agem de forma estúpida: dizimam vidas e desestabilizam, ao redor do planeta, povos pacíficos que não possuem qualquer interesse em destruir outros Estados, além de afetar até mesmo aqueles que eram indiferentes a essas políticas ambíguas. 

Diante desse cenário, se apenas alguns forem os possuidores dessas armas mortais, os políticos atuais e líderes de diversos países que aceitam essa imposição estarão se vendendo. Com isso, condenam à escravidão todas as gerações futuras de seus Estados e, certamente, eternamente os seus próprios descendentes. 

O histórico de nossa espécie é bem claro sobre o comportamento humano e do que somos capazes de fazer a nós mesmos, ao planeta e ao próximo. Como anjos míticos, muitas vezes nos disfarçamos de bons para ganhar a confiança, para posteriormente escravizarmos. 

A história não mente: já exterminamos indígenas pelo mundo, praticamos o canibalismo, realizamos sacrifícios de crianças e impusemos uma escravidão sem piedade a negros e brancos.

Resta alguma dúvida de que seria inseguro manter uma nação sem defesa para o seu próprio povo? Armas concentradas estritamente nas mãos de alguns jamais libertarão a humanidade de seus piores hábitos.

Se concordas, ao menos com uma das observações, compartilha com mais uma pessoa que acredita que, com opiniões, também possamos participar de uma nova visão por outros.  

 red9juarez 


Sistemas não são importantes: importância devemos dedicar a vida enquanto pudermos.

  Liberdade relativa e o peso do capitalismo.   D emocracia costuma ser apresentada como o ápice da liberdade humana: o cidadão vota, escolh...