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Como foi estar em um garimpo de mergulho no Rio Madeira




Em meio à maior crise econômica dos anos 80, uma decisão arriscada mudou o rumo de uma vida.
1983: Quando a Necessidade Me Fez Cruzar o País
Da Crise à Coragem: Uma Jornada em Busca de Trabalho e Dignidade

Quando Não Havia Alternativa

O ano era 1983. O Brasil enfrentava uma das crises econômicas mais severas de sua história, período que ficou conhecido como “Setembro Negro”. Empresas quebravam, comércios fechavam as portas e a insegurança financeira se espalhava por todo o país.

Eu havia iniciado no ramo da eletrônica, trabalhando com manutenção de televisores, aparelhos de som e instalações automotivas. Não vinha de família abastada, não possuía herança, tampouco vivia de influências. Sempre fui de ir à luta. Não por gostar das dificuldades, mas porque aprendi que manter a mente ocupada e o trabalho ativo nos torna mais úteis e mais satisfeitos.

Sem capital de reserva ou patrimônio para oferecer como garantia, eu precisava encontrar uma saída para garantir aos meus filhos um futuro melhor. Meu pequeno comércio não crescia; faltava tempo para ampliar a clientela, e as dívidas — ainda que pequenas — aumentavam. Houve momento em que precisei escolher entre pagar uma parcela ou comprar alimentos.

Pensei muito. Sem capital, nada poderia ser feito onde eu estava. Imaginei então seguir para Brasília. Lá residiam — ou ao menos passavam boa parte do tempo — as altas autoridades do país. Onde o dinheiro circulava, talvez o trabalho não faltasse. Afinal, o Estado parece sempre funcionar como um “bom pai”: muitos desejam integrar-se a ele, com altos salários, comissões, aposentadorias rápidas e imunidades. A economia pode estar em crise, mas os vencimentos oficiais raramente sofrem.

Parti.

Durante a viagem, meus pensamentos estavam em meus filhos. Não sabia quando voltaria. Poderia dar certo, poderia não dar. Mas era preciso agir.

No caminho, fiz amizades. Um companheiro de jornada sugeriu que eu fosse até Manaus. Lá existia a Zona Franca, onde o comércio de eletrônicos era forte. Talvez ali houvesse oportunidade real.

Chegamos a Belém após dias e noites de viagem. Dali, seguiríamos de barco até Manaus. Mas era necessário pagar a passagem, e eu já estava sem dinheiro. O que possuía era suficiente apenas para chegar a Brasília e sobreviver por poucos dias. Manaus não constava nos planos.

Dormíamos em um barco ancorado no cais, aguardando partida. Ele armava sua rede; eu dormia no piso com um lençol fino. Tentamos conseguir carona. Em uma grande empresa de navegação, ele — estrangeiro — conseguiu passagem. Eu, brasileiro, fui ignorado. Não foi revolta, mas uma constatação amarga: se somos ensinados a defender o país, por que não usufruímos também do que ele oferece?

Ele seguiu em um navio confortável rumo a Manaus. Fui como ajudante de motorista em uma balsa, dormindo entre carretas, amarrando minha rede nas ferragens. Foram sete dias de viagem. À noite, os carapanãs não davam trégua.

Combinamos que, ao chegar, eu telefonaria.

Cheguei de madrugada ao Porto de Manaus. O dia parecia demorar a nascer. Eu estava deslocado, sem recursos e sem certeza de acolhida. Antes de ligar, pensei: e se ele não estivesse falando sério?

Telefonei.

— Alô, bom dia. Sou eu, o Paulista. Viemos juntos até Belém.

Houve um breve silêncio. Meu coração acelerou. Mas logo veio a resposta positiva. Ele iria me buscar.

Ali começava outra etapa da minha história.









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