Além das fábulas... Lhes fiz auto-suficiente, mas como um verme parasita, escraviza seu semelhante.


Quando criança a não for o alimento e evitar a dor, há poucas coisas recorremos; sorrimos, choramos e, na maioria das vezes nos esquecemos de tudo: Nascimento, o que há de vir não nos preocupa, não é egoísmo, mas nem mesmo percebemos o sol, com o temporal e a tempestade acontecendo, só queremos brincar, não existem situações de risco para nós: A vida biológica está segura através dos mecanismos naturais. Nossa permanência e comportamento vão depender do que recebermos, assim, como o leite materno é responsável pela nutrição do corpo físico em nossos primeiros contatos com a vida, a cultura do meio e da família formarão nosso caráter, daí, um dia seremos iguaizinhos como os adultos que encontramos quando da nossa chegada. Se jamais praticarmos um ato verdadeiro, quero dizer com isso que de nada vale para o ser humano em sua meta de evolução, contribuir com o bem estar de alguma pessoa entendendo este gesto como caridade, de fábulas vivem os sonhadores, a vida como existe está ai para nos mostrar que o universo não prioriza as fantasias que criamos para tornar a existência mais cômoda psicologicamente. Cada um deve tomar sua iniciativa colocando-a em prática segundo seu coração, sua percepção e emotividade, nada de transferir para outro o que possa resultar em beneficio de alguém, na certa, dependendo do intermediário, ficará retido por ali mesmo o que encaminharmos. Não havendo uma iniciativa ainda que modesta em favor de alguém, mesmo somente a um ser humano, deveremos conviver com a violência igualmente aos bens que acumulamos frente a tantas desigualdades e cumplicidade: tudo ligado, tudo sendo consequência normal e resultado natural. Oito de dezembro, Brasil, muito bom, ou seria extremamente imprudente, injusto e triste comemorar este dia escolhido como o momento do ano referente à justiça?  A humanidade quase que no geral dispensa nos dias de hoje os Deuses mitológicos, ainda bem, de outra forma, como teria estado o cidadão com seu destino de julgamento, na pendência de uma fonte de bom senso abstrato, representada pela deusa Têmis no passado, e nos dias de hoje, na dependência do poder aquisitivo, o dinheiro para defendê-lo? Teoricamente, para quem não tem recursos financeiros para cobrir custos com defesa, tem-se assistência do governo: E você acredita? (não seria como a fábula da igualdade e da fraternidade?) Se o governo não cuida com eficiência da saúde, por exemplo, com assistência medica e alimentos que sustentam á vida com preços acessíveis, então, qual mérito ou importância teria este dia. Mesmo porque, o estado tem que ser exclusivamente mediador e, não manipulador, exceto se, no segundo, houver a participação dos cidadãos diretamente, não há como separar homens de homens, existir dois mundos, duas realidades em uma sociedade: Em ocasião do interesse de um cidadão em uma vaga de emprego no estado, sim, uma vaga de emprego; o estado é real, integrado e composto por cidadãos com números de CPF, embora sejam representantes escolhidos, não devem ter poder absoluto, mas com imites de decisão. Toda escolha de uma comemoração envolvendo toda a sociedade é preciso que seja aprovada ou reprovada por todos. Comemorar o dia da justiça, ainda que simbólico, é como afirmar que tudo vai bem, tudo está perfeito, muito tempo ainda há de vir para celebrar tal indicação. Não há prova maior de imaturidade de uma civilização na elaboração de leis baseadas nos costumes e tendências, não que houvesse como ser diferente, pois, muitas vezes são benéficas, mas, a aceitação por induzidos não poderia ser tão irresponsável quanto ao descuido de não estar atento aos rumos das promulgações destas, por exemplo, o dia da justiça.  Decidiu-se em um tempo colocar crianças deficientes em águas correntes, aquelas que por ventura saíssem vivas, sorte delas: Outras, bem no alto de uma montanha, brutalmente assassinadas em sacrifícios a deus, claro, não sem algo em troca, aceitavam que, quanto mais lágrimas delas, imagina, com certeza prolongavam sua agonia, mais chuvas teriam: Infeliz de quem fosse jovem em uma das primaveras, poderia ser escolhido também para mais uma absurda lei. Tudo foi lei um dia e, aplicadas cegamente considerava-se feito justiça. Dar destaque aos órgãos legislativo e judiciário sim, mas, festejar a justiça integralmente, não é correto, enquanto perdurarem as desigualdades sociais mantidas pela fidelidade comprada com salários escalonados, com subornos disfarçados em negociações e a opressão. Três bases para as leis sociais. A proveniente de Deus; procedimento segundo os princípios que se acredita emanado do próprio, incluindo a moral. A derivada do Estado: Onde, cidadãos em posse de procurações, representam cidadãos; ou nas Ditaduras quando a procuração é tomada pela opressão, arrogância,  egocentrismo e complexo de divindade. A do ser humano como individuo único e detentor do cuidado natural para com sua integridade física e comportamental; ainda que, ao aplicar sua própria lei, responda por quebrar as regras. Mas, nada o impede de colocá-la em prática se, seus procuradores se mostrarem ineficientes em suas funções, perdendo desta maneira a aptidão para tal desempenho da profissão assumida e ainda...O silencio dos envolvidos. Pagamos um alto preço por não nos dedicarmos mais, à parte preciosa de nossas mentes, sendo ociosos, quando deveríamos estar trabalhando em conjunto, continuamos endeusando o estado como se fora um templo único dedicado a seres humanos com poderes especiais: Prova que, estado é figurado onde seus membros são também seres humanos normais e consequentemente errantes às vezes, com raríssimas exceções de alguns com a propensão natural para livrar-se  de atos e ações avarentas, se dedicam como podem ao difícil dote da educação pessoal e social. Sabemos da importância dos números em nossas vidas, ao sem, do menos ao máximo possuidor de recursos financeiros, tudo é contável. Não necessariamente como a historia comprova, o bem bem estar e futuro de uma nação têm garantias nas mãos daqueles possuidores de educação obtida das médias ou melhores universidades. Não conheço a política Sueca, mas o que dizer de um país com uma das melhores assistências sociais do planeta, com altíssimas taxas de impostos, sim, mas que revertidas para a população, o que não seria legal se diferente, afinal, esta é a função de homens encarregados destes setores. Posso deduzir que, onde membros do governo vivem em extraordinários patamares de mordomias e imunidades, os mesmos transformam seu País em uma colônia, permitindo com estratégias sutis a exploração de seu povo, conterrâneos e irmãos. O argumento usado atualmente para invasão, saque e domínio permanente de nações impondo uma política econômica própria em nome da paz, não é justificado pela suposta inocência de neutralidade na posse de armas letais de destruição em massa que tentam demonstrar pelos feitores de tais ações à opinião pública. Ditaduras , baseadas no rompimento da liberdade individual e coletiva, é tão cruel quanto à democracia capitalista, onde a liberdade de exercer sua função de consumidor é trocada por uma única função, a de produzir e servir. Para os estadistas de quase todos os países é mais prática e econômica a construção de cárceres, ao invés de escolas em grande quantidade para as crianças e adultos. Não há dúvidas que em países onde a violência é crescente e constante na sociedade, sempre haverá mais vagas de empregos para juízes,  promotores, advogados e delegados, além, claro, da necessidade de mais funcionários públicos para segurança, aumentado assim ainda mais a força de proteção para os estadistas e opressão sobre o cidadão para manter como está. Crianças hoje vistas pelas ruas das cidades dos grandes ou pequenos centros, de todos os interiores em qualquer parte do mundo, aquelas que sobrevivem às mínguas, sem água tratada, sem alimentos suficientes para uma boa formação de seu corpo, ignoradas por aqueles a quem lhes deveriam providenciar a perfeita obrigação de tornar eficiente a tutela  para o perfeito funcionamento do sistema; dentre estas, algumas ao acaso e raras, se comparadas ao grande número das existentes, conseguirão participar das maravilhas que a sociedade humana em trabalho produz inclusive a cultura: As demais, ontem e hoje invisíveis e excluídas, muitas serão o esteio a sustentar aqueles que ordenam a construção de presídios e, a futuros administradores dos mesmos. Para confirmar, basta fazer visitas a presídios ou conversar com um amigo, caso haja um em seu circulo de amizades. Em nosso modelo de sociedade  muitos se encontram presos por ter desenvolvido um cérebro levemente debilitado na capacidade de raciocínio, exatamente pela má formação em razão da deficiência alimentar, quando da não atenção por parte do governo. Não se constroem escolas suficientes, não se cuida das crianças como se deveria, mas quando as mesmas crescem lhes cobram sabedoria, esquecendo-se que sua fome e ignorância foi custeada, mantida. Pode parecer que estou sendo irônico, mas não estou, penso que prisão especial com privilégios deveria ser concedida a aqueles exatamente de origem de onde quase tudo faltou na infância, uma forma de o estado compensar o abandono, e não a aqueles que tudo teve ao seu alcance, mas, tenha optado pelas contravenções, ainda mais, sendo esclarecidos: A historia humana persiste em uma trama digna de seres pensantes, mas, sem a sensibilidade à altura dos Deuses que acreditam e do amor simbólico da estima; Lideres de maior influencia sobre o comportamento moral e espiritual em sua maioria, acumulam os valores pelos mesmos condenados; mesmo os que incentivam o possuir cobram importâncias reais pelo abstrato, influencia no futuro da humanidade a se perpetuarem  grupos de criaturas servis, a ter como promessa pelos políticos as melhorias para o futuro e, lideres religiosos, à expectativa da felicidade prometida somente para após a partida desta vida: E o que dizer do eterno presente? Induzidos pelo  apelo das propagandas a possuírem, se tornam insensíveis a si mesmos e ao semelhante: Tem de haver sempre meio termo em todas as decisões que devam levar ao cumprimento de regras: É pelo simples descuido de em situações de tomada de decisão não perceber outra coisa além de um sim ou não que, tudo, mesmo prejudicial ao todo social, funciona às claras sem serem percebidos os escuros: Leis humanas são mutáveis e não exatas, são estruturadas, como não poderia ser diferente, a atender principalmente na área econômica, aos planos de seus criadores e executores. Mas não para por ai, pela educação adquirida e doutrina arquitetada por milênios, continuaremos a ser peritos em teorias comportamentais; mas nada de praticá-las. Muitos pesquisadores, alguns psicólogos e tantos outros, afirmam ser inerente ao ser humano, a violência: Não há dúvidas que estas afirmações ocultam se ditas por marechais, a defesa da necessidade das guerras, o que não é verdade, pois isso contraria a capacidade humana em aprimorar seus meios de convivência coletiva pacifica e, porque não também com esta conclusão, não estar presente a clara intenção de continuar tentando deixar a maioria em seu estado primitivo, para desta maneira, melhor dominar com a violência? Defender que a violência fez parte nos primeiros passos de nossa espécie, sim, mas, com tudo disponível  para se levar através da cultura conhecimento a todos, não: Concordar com esta afirmação é condenar a criatura humana a não ter livre arbítrio, ou não ser capaz de escolher pelo menos, parte de seu destino...







Sem terras...Um pouco sobre

Sob um céu azul magnífico, vívido, o chão ressequido de uma velha estrada improvisada, em qualquer instante pode-se tornar úmida e vermelha.
Comentar sobre temas que não conhecemos, é criar polêmicas, divagar, fofocar e confundir. É preciso lembrar que qualquer reação pública em um sistema, seja individual ou organizada, será qualificada como desordeiros seus atuantes; muitos nomes podem ser dados a tais. Não pretendo entrar no contexto desta questão, somente dizer que fui feliz em ter uma oportunidade de ir buscar uma historia verdadeira: Viver e estar presente em um destes momentos e Movimentos. Bem vindo a este espaço que não é somente meu, compartilhe sem culpa, adentre no intimo de um ser humano não alienado da realidade arquitetada pelos homens. Equilibrado, mas de onde continuamente ressurgem pertinentes indagações. Estreitando os limites de minha privacidade, disponibilizando, expondo mais de mim mesmo a cada instante, sem receios, prossigo tentando romper as barreiras existentes em todos nós, a de darmos vida própria às nossas decisões e pensamentos, livre de influencias, induções, não reajo às dificuldades alheia em meu coração como sendo reflexo inconsciente de rejeição; como alguns tentam explicar esse comportamento emotivo, a de, poderíamos estar no lugar da vítima. Maravilho o existir, pois o máximo se dá nela, a vida; cabe unicamente aos seres humanos superar com sabedoria os pontos da criação. Acreditar em um ser superior, um Deus, não faz de um ser humano uma boa e prestativa criatura. Não acreditar em um Deus, não faz de um ser humano, uma criatura maléfica ou insociável; a capacidade de raciocínio nos dá à condição de distinguirmos o que é cabível ou não em quase que em sua totalidade, sendo um desperdício que poderia a muito ser aproveitado em beneficio de todos. Sigo poupando cada vez mais menos de mim mesmo, para tentar compensar o que poderia ter contribuído para ajudar na preparação para uma forma de viver cada vez melhor.   Ainda que exposto a severas contestações por parte de alguns em defesa de, como está, é o melhor e o possível a ser alcançado; e nada mais adianta ser tentado em prol da paz e do equilíbrio para os humanos. Pensamentos como este não anulam os anseios daqueles que refletem sobre o muito ainda a ser realizado. Considerando-se a eternidade como base para as projeções de evolução podemos se quisermos ver o quanto de imprudência cometeu-se no passado e, continuamos no presente. Claro que as mudanças são gradativas! Sim, as naturais, mas dificultar o processo da harmonia, retardar o bem estar geral é afrontar a natureza lógica e seus filamentos nas mentes pensantes.  Porém, continuo seguindo um pouquinho de minha parte como criatura que para existir, necessariamente há de ser agregada. Mencionar alguma possibilidade, mesmo remota, ainda que exija muita dedicação e abdicação, mas, levar às grandes e boas transformações, equivale na mente de muitos a infeliz expressão... Isto é utopia. Tentar contribuir por melhores relações entre as pessoas como seres que se completam, intensifica em mim o prazer pelo existir.  Dar o meu parecer, delinear mentalmente boas vindas em mudanças, não destrói o invólucro cristalizado pelas energias sutis a quais nos compõem e, até onde os sentidos humanos não tateiam estão protegidos todos aqueles que reconhecem os valores devido à vida. Por isso, ser humanista não resulta em destruir nenhuma parte de meu ser, mas a de elevar a todos a um bem maior e a uma melhor condição: Não me preocupo com o que há de vir com conjecturas. Ao principiar, não seria assim, porém, não que consistisse em única e vaga intenção simplesmente, a de passar para a escrita meus pensamentos atendendo de forma errônea e simplificada o preenchimento de uma lacuna de vaidade em tentar se projetar sem nada de consistente, proveitoso, transmitir que vá atender de fato a curiosidade ou mesmo por novas descobertas de como pode pensar um ser humano sobre as mesmas questões relacionadas ao convívio em grupos. Uma... Entre tantas outras historias de homens destemidos. Desta vez, presenciada por mim. (Sem terras). Antes, porém, minha opinião sobre a mesma e sobre o tema; Com certeza, regras sociais devem ser seguidas. Mas, habitat, terra, é um patrimônio de todos universais. Deve ser excluída   de valores capitais, ou no mínimo facilitada ao máximo para adquiri-la. Desordeiro, violento, ameaça à ordem social e de humanismo, é ter uma opinião de que um direito natural deva ser controlado, violado. Após serem realizadas algumas reuniões pelos sem terras, para decidirem quando e como seria a entrada na fazenda, resolveram que teríamos de acessa-la durante a noite. A mim, pareceu estranha esta decisão, afinal, era uma terra pertencente à União, uma área de reserva castanheira, aliás, ex-área, porque já não havia mais castanheiras.   Qual seria a razão de se ter tantos cuidados, porque não poderiam ser vistos? Se não existiam documentos que tornasse o atual morador proprietário legitimo, nesta condição também estaria sendo ele um invasor. Comecei a pensar que teríamos sérios problemas pela frente, só não conseguia imaginar de que tipo. Realmente não entendia tanta preocupação por parte destes que estavam chegando

É uma vista surpreendente da grandeza, beleza e imponência que a natureza se transforma quando não tocada, destruída, faz transparecer em sua ordem na divisão dos espaços a tudo acomodar, transformando em um belo sem vaidade, um poder sem ser bruta, uma maravilha para humanos com sensibilidades. Este lugar não é uma das maiores áreas da região se comparadas a tantas outras que somente têm servidas para sustentar status, sentir-se melhor vendo o outro em pior condição de sobrevivência. Segundo informações são em torno de dois mil e quatrocentos alqueires, espaço a poder ser ocupado por muitas famílias de sem terras. Para que se consiga visualizar a linha do horizonte,  é preciso abrir a mão e estendê-la bem rente aos olhos, amenizando assim o impetuoso e supremo sol a nos atingir a retina com seus raios brilhantes... Ouvira anteriormente alguns comentários que nesta região, algumas áreas tomadas pelos sem terras aconteciam em comum acordo, discreto, com seus donos. Supostos proprietários, porque também não possuíam documentos legais, além de deixarem grande parte das propriedades sem nada produzir. De certa forma, para muitos, esta poderia ser uma saída para obter recursos, pois, se desapropriados, neste caso saem até com vantagens;    Havendo segundo fontes, casos em que as terras são indenizadas com valores superiores aos de mercado.  Esta grande fazenda onde estávamos para entrar, somente uma área menor a considerada produtiva estava cuidada, a maior extensão era composta por juquíra, uma parte anteriormente desmatada que agora é formada apenas por uma vegetação rala que se forma assim que a mata nativa é eliminada: Também aqueles com terras improdutivas em uma situação de não poderem trabalhar, pois não possuem recursos, nem conseguirem empréstimos ou incentivo de qualquer natureza. Em pontos bem afastados da estrada, podiam ser vistos pequenas formações da mata nativa, e mesmo assim, com raras árvores de grande porte, evidentemente, sobreviventes às já extraídas entre outras, como jatobá, cedro, canela, mogno, e tantas mais que no momento não me recordo mais de seus nomes. Chegara á noite, estávamos agora reunidos à margem do rio, ainda, outros continuam se aproximando em intervalos irregulares: Alguns traziam consigo facões presos na cinta, e em momento algum aquilo me deixou desconfortável, fazem uso deste artefato, acessório indispensável para aberturas de picadas ou, mesmo para não ter que por as mãos diretamente em algo que pretendam ver ou tocar que esteja no chão. E onde estamos, terão que fazer uso deles: Algumas espingardas sem cartuchos, sua carga é composta de chumbinho, pólvora e bucha, usada para caça.  Quanto mais ia se passando o tempo, mais evidente se tornava a inquietude reinante entre eles, percebi, que dali para frente a qualquer momento poderia haver surpresas e, não seriam agradáveis. Não estava entendendo, conhecendo um pouco da natureza humana e suas reações frente às adversidades, como seria possível não haver nenhuma resistência por parte daqueles que residiam no local? Se bem que naquela hora, já era um pouco tarde para desistir, mas realmente o clima não era próprio a de uma situação em que não estivesse sujeita a envolver riscos, tinha a certeza agora que não seria simplesmente ir até a terra e assentar-se. Eu poderia ter recuado, ainda estava em tempo, mas sendo um autocrítico, e também em busca constante para tornar-me cada dia melhor em meus relacionamentos sociais através de conhecimentos, jamais me perdoaria por haver escolhido está alternativa; a de não ter atendido minha razão e fugir, fugir às buscas, sempre soube que nada se realiza sem objetivos, metas, riscos, sem busca contínua, sem acreditar, e eu precisava da historia, por essa razão me encontrava ali entre eles até aquele momento: Queria levar ao conhecimento daqueles que desejam saber o que realmente acontece neste seu mundo também, que pela falta de tempo com seus compromissos não podem dispor de espaços em seu dia a dia: Gostaria, como também era preciso registrar um acontecimento desta ordem, em razão de somente termos ouvido falar a respeito, estava com uma oportunidade de conhecer o outro lado da historia, a outra versão dos fatos. É uma reação popular justa, independente das qualificações que deem para a atitude destas pessoas, seria minha chance de registrar um destes movimentos, e este era o momento que com certeza não poderia dispensar de maneira alguma. (Somente um breve comentário, exceções fazem-se aos menos afortunados, alguns afirmam que os mesmos não se realizam profissionalmente ou mesmo financeiramente por total falta de interesse, esforço e dedicação por parte de cada um: Não é verdade em sua total afirmação este dizer e, raríssimos se enquadram nesse grupo). É característico do ser humano, adquirir e juntar coisas, objetos, além da curiosidade nata; o progresso trouxe consigo melhorias indiscutíveis, mas desfragmentou o autocontrole emocional para o querer sem limites... Sem educação. Não somos caçadores de cabeça, nem vivemos mais como os primitivos ou antigos produtores de alimentos nos campos, usando as mãos como a ferramenta mais importante.  Porque não tiramos proveito no presente do progresso, e nos tornamos verdadeiramente úteis a nós mesmos, ao grupo, à sociedade e ao país? Mas isto, não somente na teoria com planos abstratos que não se realizam. Deixemos os céus para nossas almas, não podemos deixar de viver o presente, o agora, para vivermos somente no futuro as maravilhas que abundam em nosso planeta, em nossas vidas: Existem as cores, o amor, a brisa, o semelhante, o sorriso, o antes das lágrimas, a aurora, o mar, as crianças, e em tudo somos capazes de produzir muito mais que consumimos nada há de faltar a alguém. Percebe? Já vivemos em um paraíso, não fosse para usufruí-lo, nossos sentidos e inteligência viriam mais tarde. Vamos cuidar bem de nossos semelhantes, de nossas vidas tratando-a melhor, de nossa saúde, de nosso conforto, da paz. Vivamos no presente o que há de melhor e não nos faça mal, mas bem a todos. Quanto à posteridade, o que há de se seguir, caberá às forças que regem o universo, a nos integrar em novas situações. E estas, vão de encontro a cada ser humano, de acordo com seu coração, sua alma pensante. Gostaria muito, mesmo, mas não é o momento de comentar sobre meus pontos de vista ao que se refere à regularidade do bem estar do ser humano como criatura integrada ao todo, aos riscos aos quais se expõe em acreditar cegamente, confiar, abrir mãos de suas próprias responsabilidades como ser racional à tutela de seu semelhante, menosprezando sua capacidade igualitária; descuidando-se de suas pessoais e reais necessidades. Voltemos então, para a margem do rio,  íamos sendo envolvidos lentamente pela noite, e em cada canto, um grupinho ia se formando, havia  sempre três ou quatro sem terra, conversavam, mas, sempre atentos. Em cada rosto, uma expressão diferente retratando um quadro nostálgico, deixando transparecer a impressão de uma vaga consciência do que realmente estava por vir. No grupo havia somente homens, não expunham suas esposas e filhos quando havia, à sorte de seus intentos, há em seus corações uma crença em um Deus de bondade, um Deus de justiça.  Agradecem a cada refeição, a cada dia, a cada suspiro. Sonham com dias melhores, honradamente vindos através do trabalho e esforço de todos, não trazem símbolos de guerreiros, tentam sobreviver com dignidade, não desviam bens públicos nem privados: Não blasfemam acreditando em um Deus e vivendo indiferente ao que o mesmo representa. Não roubam pelas esquinas, escritórios requintados, não são acionistas de nenhuma empresa fabricante de armas, não são parasitas, vivem sem ociosidades. É impressionante como o ser humano pode ser produtivo quando se tem liberdade: Os de bom senso, naturalmente empenham-se em ser participativo, trabalham com satisfação mesmo com uma tarefa a consumir seu dia todo de sol a sol, mas é feliz. ( E ainda dizem que a felicidade não existe, tente se manter ocupado com trabalho e depois de seu expediente, descanse, a expressão de seu rosto será suave. Mas atenção, que a remuneração não seja acompanhada de piada, mas de justo valor ). No caso dos sem-terra, buscam seu espaço para viver e trabalhar, resultando com isto em um ser enobrecido, satisfeito, importante para sua família, amigos, a sociedade e a nação. São grupos de dezenas de pessoas, todos com o mesmo espírito de trabalho. Se houvesse matas ainda, teriam um uso específico, e se já desmatadas se tornariam em pastos. No caso de áreas em mata, diversificariam com o plantio das frutas nativas, por serem menos exigentes em seus tratos, zerando praticamente o uso de defensivos químicos, exigindo somente mão de obra familiar. O que também pode ser feito pelo próprio sem-terra se assim o desejar, é ter umas galinhas pelo quintal, umas duas vaquinhas para providenciar o leite para a família. Dessa forma, iam-se moldando os sonhos que na realidade, há muito já deveria ser assim, sem nunca ter deixado de ser. A construção de uma improvisada e modesta moradia erguida com troncos finos de árvores e coberta com folhas do coqueiro babaçu: E ficar aguardando o tempo necessário até que INCRA e governo negociem a terra para poder-se regularizar o assentamento. Não desejam a terra para denotar poder, esnobar frente àqueles que nada possuem. Não ouvi em nenhuma ocasião entre eles, planos de comercializar seu pequeno lote ou mesmo em partes. Nem mesmo coisas como ficar deitados em suas redes tomando água de coco até que o sol se ponha. Faz jus após trabalhos sociais prestados, laser férias. O que estou dizendo é a prioridade em seu íntimo, para o sem-terra o importante são bananas, mandioca, arroz, feijão e tudo que puderem produzir ou criar. Podendo assim, ir atendendo suas necessidades mínimas de sobrevivência, reservando uma parte para suas duas vaquinhas. Tem aquele que pretende criar somente gado. O homem do campo quando trabalha em sua propriedade, tendo a família ao seu lado a esperar sempre, está-se longe de compreender, dimensionar do quanto ele é capaz, o quando pode ser útil para a sociedade. Mesmo para quem se encontra distante em outros estados, pois, da boa quantidade das colheitas dependem o alimento e seu custo na mesa de cada dia. Isto, se os operários da economia e controle na área da agricultura e pecuária, desempenharem suas tarefas adequadamente em prol da nação com responsabilidade: Mas não, como é o caso da conivência de políticos com investidores estrangeiros... Argumentando ter admiração pelas florestas brasileiras, ocultam o interesse de se explorar as áreas e a mão de obra barata do homem do campo e, realmente se sentem em um paraíso sim, mas para sacar, tirar, sugar. Não afirmo ser o homem do campo um exemplo diferenciado de bondade, o ser humano faz parte de um mecanismo complexo e violento, a maldade é latente em todo cidadão sem exceção: Para que ela se manifeste, basta que as circunstanciem a favoreça. Lembrando que, uma reação para garantir a sobrevivência com dignidade, não pode ser entendida como violência, violência e trato relativo são merecedores aqueles que por banalidade, busca por atender seu ócio, seu egocentrismo, tornando outros, escravos. (Não me refiro àquela liberdade que segundo alguns, não há como ser posta em prática, por não permitir tornar possível uma sociedade com leis, indo à liberdade de uns ao encontro as de outros provocando conflitos. Podendo gerar o caus entre os cidadãos: Deixando de ser possível a convivência das pessoas em grupos com organização. Falo de outra, sagrada, aquela que cada um tem a sua e não se molda á sistemas, esquema algum, a liberdade natural do eu, imposta pela existência, a de viver com o próprio pulmão, com as próprias mãos, com o próprio trabalho individual. A liberdade a ser controlada que deve ser vigiada, é aquela que pode criar problemas para toda humanidade; a liberdade de não reconhecer o patrimônio alheio, geral, o direito universal. A que torna possível e legal matar ou escravizar se for necessário para se adquirir mais e mais, a manter um escalão social abastado: A de poder ter sido atendido suas necessidades, seus caprichos, sustentam uma ordem, não se importando se é justa ou não. Quantos que com esta liberdade já mataram por interesses próprios, defendendo classes, poderes, hierarquias, quantas perdas de vidas barbaramente eliminadas e não foram motivadas por razoes de humanismo ou defesa social; mas por bandidismo mesmo: Sendo posteriormente o ato maquiado para parecer heroico. Esta sim, escraviza o próprio ser e aos que se encontram ao seu redor ).
Talvez, eu possa parecer como um relógio que repetidamente percorre seus segundos ao redor de seu próprio eixo: Mas, sempre marcando um novo tempo para todos nós.  Esta observação é em razão de ocasionalmente dizer algo que provavelmente já tenha sido dito por alguém. Não há pretensão de plagiar, mesmo que tenha a frase o mesmo sentido. (O acaso não faz parte deste meu trabalho dedicado, se acontecer de escrever algo que se assemelhe aos pensamentos de alguém que os teve um dia, só reforça mais e mais a certeza de estar indo na direção certa.). Como na democracia os homens são livres e, se não são capitalistas, pelo menos são livres para sonhar, (risos) seguem com sua liberdade fazendo planos para, assim que se assentarem, não digo invadir, quem faz isto é o Estado (pessoas), a constituição garante o acesso à moradia, e mesmo se assim não estivesse escrito, os homens devem viver pelo que lhe pertence: No entanto, os invasores e desordeiros são os Estadistas (homens) que tem em seus empregos, entre outras obrigações, a de se aperfeiçoar as leis e praticar a justiça, são estes seus compromissos empregatícios. Neste momento, estamos prontos para a travessia do rio, somos quatro pessoas, a fase da lua não é cheia, por essa razão, podemos ver bem pouco a nossa frente, e temos de caminhar uns duzentos metros até a margem onde esperamos encontrar uma canoa. A preocupação com o que possa nos acontecer de agora em diante, começa incomodar. Noite sem lua, copas escuras das árvores na outra margem, ruído incessante das águas que se movem em forte corredeira chacoalhando galhos das arvores que se encontra em sua margem, não há vaga-lumes. Penso comigo, pior para os fumantes, não podem ascender seus cigarros, ficariam visíveis. Pássaros noturnos iniciam seus voos rasantes por sobre nossas cabeças, mas não nos tiram a atenção. Eu tenho um pouco de experiência com remo, quando jovem, não deixava um dia sequer sem estar em uma canoa no Rio Mogi-Guaçu em Guatapará, interior de São Paulo. Temos de nos apressar para compensar porque, além de ser muita, a corredeira é forte. Vamos entrar com calma na canoa e seguir, pelo menos esta era a ideia. infelizmente,  não seria tão fácil assim, logo entramos em um redemoinho; você ai na frente, vá desviando os galhos com as mãos sem segurá-los, porque me atrapalha na impulsão da canoa, olha, tem água no assoalho da canoa, por favor, não balancem, tentem ficar o mais imóvel possível: Pessoal, não dá para continuarmos pelo lugar onde estamos margeando será melhor, só temos de tomar cuidado para não nos emaranharmos nestes galhos que se sobressaem sobre e entre as águas. Justamente por onde saímos parece ser o leito do rio, a correnteza está muito forte aqui, vamos cruzar de vez para o outro lado imediatamente. Cara olha essa água, está aumentando muito rápido dentro da canoa, não balancem, não há nada com vocês que possamos tirá-la? : Vamos voltar desse jeito não podemos continuar; agora começa entrar por cima também, vamos! É tarde, estamos afundando... Segura firme neste galho, não podemos perdê-la (a canoa ). A correnteza nos empurra sentido contrário ao nosso destino existe um pedaço de corda na ponta da canoa que se usa para amarrar quando na margem, com a mão em um ramo fino que de repente pode-se romper, e a outra segurando a corda, só restava sob a água, tatear o barco e tentar segurá-lo com os pés, e assim foi feito. Estamos cansados, mas não podemos perder este único meio de se chegar ao outro lado, continuo com os pés prendendo nosso transporte que está pesando cada vês mais. Alguém consegue segurar a corda sem soltá-la? Muita atenção, pois vou soltar meus pés. Todos saem exaustos do rio, silêncio por alguns momentos. Com a lanterna podemos entender a razão do transtorno, um buraco no assoalho mal reparado, havia quebrado. Foi cancelada a travessia, esta noite nos arranjamos como pudemos, uns ficaram por ali mesmo, bem próximos, outros se embrenharam pela mata um pouco mais distante improvisando tendas, somente cobertura para proteger do sereno, não estávamos preparados para o que aconteceu. Amanhece, e assim como o frio da noite vai-nos deixando lentamente, o calor do sol vai se acentuando. Meu corpo sente a estadia, embora seja o ambiente externo de primeira classe,  a natureza, as acomodações são rudes. Nossa única chance de atravessarmos agora seria transportando menos pessoas por vez, e assim foi feito, não seriam mais quatro, e sim duas. E assim, todos chegaram. A noite nos havia deixado com resquícios de desconforto por todo o corpo, o sol brilhante lentamente refletia sobre nós com sua luz viva alimentando a vida e, nos fazendo baixar o olhar. Uma boa parte estavam reunidos agora dentro da fazenda. Apesar da decisão de entrar nesta área de terra ter sido decidida, tomada já há algum tempo, havia pouca organização, pouca comida, sem pães, enfim, triviais: Água disponível, somente a do rio, de cor terra marrom bem clarinha e, nem um pouco convidativa. O imprevisível torna as expectativas assombrosas, claro que em situações de riscos, bem diferente de uma ocasião de boas surpresas, eu pelo menos esperava pelo pior. Cafés eram feitos assim, ferve-se a água em litros de lata de óleo usadas, após a ebulição, coloca-se o pó de café e aguarda que o mesmo se assente no fundo, sem coar. Difícil era controlar o emocional por aqueles que transpunham, adentravam em direção a sede da fazenda. O caminho que estávamos percorrendo era uma estrada construída a principio, com certeza, para escoar madeiras, chão batido e cheio de pedregulhos. Nada havia plantado ao redor, a não ser, desmatamento e uma nova mata , pequena e bem dispersa, capoeira, com pequenos pontos de pastos e vazios na terra, isso é o que víamos enquanto seguíamos conversando. Pela estrada, enquanto caminhávamos ficava imaginando quão diferente os homens se comportam para assegurar seu sustento do básico ao supérfluo. Existem aqueles que não se acanham em se ter uma renda polpuda, argumentam que a constituição, o sistema lhes garante o estabelecido e, nada de errado há nisso; conseguem conviver em meio a outros que nem mesmo para o básico conseguem;  apesar de a constituição também garantir ao operário, com o salário recebido por trabalhos da participação social suprir no mínimo o suficiente para se ter uma vida digna. Eu, particularmente imagino, com o que se compra e tira-se proveito em qualquer parte do planeta dos bens produzidos pelas sociedades com o salario minimo respectivo, bastariam exageradamente umas duas horas diárias de trabalho . Não sou anti-classista, não me intrigo com a escolha distinta do  direito e liberdade de cada um sobre suas preferencias. repugnante é quando ouvimos alguém afirmar da necessidade da existência de cidadãos sem recursos, pobres; não acredito que o mesmo defensor desta funcionalidade, caso seja possuidor de bens, os dispensem passando a fazer parte daqueles que nada ostentam. Na margem temos um banco de areia, uma pequena nascente com água cristalina brotando, sua pureza nos brinda com sua suavidade, o aroma do café fresco reanima seus amantes, enquanto descansam e fazem os preparativos para seguir em frente. Resolvem ir após terem preparado uma refeição, pequenos buracos no chão são preenchidos com gravetos pequenos, folhas secas e algum pedaço de papel que possuíam: O apoio no fogo para as panelas é a lateral, as bordas da pequena cavidade na terra. Estamos seguindo pela estrada aberta há muito tempo, por onde retiravam a madeira e, mesmo assim por ter sido coberta, revestida com pedregulhos e pedriscos, estão em bom restado de conservação. Um pequeno riacho sob uma ponte de madeira é nossa parada, nos refrescamos e continuamos: Passado algumas horas, pois íamos sem pressa, podemos ver de onde estamos a sede da fazenda. Lá no ponto mais alto, a residencia cercada e com uma grande porteira; ao lado esquerdo um vasto pasto com muito gado espalhado se alimentando.  passavam das dezesseis horas, pelo dia ter sido bem quente, sentia-me cansado e desejava umas horas de repouso, mas não podia parar, é preciso acompanhar cada movimento, cada palavra que fosse pronunciada. Neste momento já não há tanta conversa, caminham em silencio, com pressa, mas com visíveis reações de dúvidas, entre prosseguir ou parar. Até então, não se vê a presença de pessoas na casa, em sua volta, mas não param continuam avançando; em frente à porteira, espalhados encontra-se o grupo, uns mais ousados começam a falar e a gesticular, tem os mais tímidos ou seriam os mais cautelosos. Após algumas batidas de palmas, alguém aparece na porta, em sua companhia uma criança, um menino, hesita em se aproximar da nossa direção: Quando um lhe diz que só queriam entrar na fazenda, e que nada o comprometia, podendo se tranquilizar  Concordou, pediram para ele sair naquele mesmo dia da casa, mas não foi possível, somente no seguinte. Eram muitos, adentraram a residência, começaram a vasculhar todo canto que conseguiam; quando perguntei qual a razão, e o que estavam procurando, foi me dito que poderiam encontrar alguma arma e, realmente encontraram. Nesta noite, cada um procurou um cantinho para dormir, menos dentro da casa, diziam poder ser surpreendidos pelos pistoleiros ou até mesmo por policias mesmo sem haver sido expedida uma ordem judicial. Passaríamos esta noite de improviso, nada de rede estendida, ao redor da casa não havia árvores para isso, a lua estava ausente  pensei em cobras, aranhas, além do frio que começava a fazer; procurei por um saco plastico onde, envolvendo minha cabeça tentando me proteger e, em um canto junto à parede me deitei. Apesar de estar bem cansado, meu sono demorava a chegar, enquanto isso meus pensamentos viajavam e, a maioria deles com iniciativas e direções próprias, sem minha vontade; não fazia ideia de como iria terminar tudo aquilo, o grupo não era pequeno, nitidamente percebia as varias personalidades em cada um, calmos, comportados, abusados e temerosos. Amanhecendo, do frio da noite posso sentir o calor aumentando lentamente e o céu totalmente azul carregado de pequenos flocos de nuvens brancas esparsas pelos lugares nas altitudes; dois grupos se formaram destas pessoas, um se distancia bem da sede da fazenda, se acomodaram em uma casa e abandonada, só havia mesmo a estrutura de madeira sem cobertura, uma mina , nascente com água bem fresquinha, ali eram estendidas as redes e preparadas as refeições: Permaneci com o outro grupo, este, em uma casa já em melhores condições, com banheiro, fogão, mesa e algumas camas, um poço onde podíamos ter água sem problemas: O inconveniente estava em que esta residência encontrava-se à estrada de transito da fazenda, o que me disseram ser ruim por deixar-nos expostos quando da chegada dos pistoleiros  ou qualquer ameaça; para mim, ainda que fosse de risco, era importante que estivesse no local, desejava registrar tudo fielmente. Permanecemos nesta área e condição por vários dias, por vezes alguém ia até a pequena cidade para trazer alguma coisa em falta, assuntos eram diversos, nada de absurdo ou extraordinário surgiam em suas conversas que não fosse comum em qualquer grupo de pessoas que se forma. Mas não demoraria em a rotina ser quebrada, de volta do vilarejo disseram-me ter sido visitados por representantes de um órgão que trata destes assuntos de terra com a notificação verbal de uma breve visita do INCRA: Suspeitei de tal informação, por que agora, somente após quase dois meses, apareceriam dois motoqueiros sem nenhuma identificação, sem um contato mais claro, consistente...           


Repentinamente...

As luzes se apagam, não há mais pesadelos, medos, créditos ou débitos, deuses ou demônios  princípios e crenças que outrora ditavam comportamentos, agora que diferença faz, nenhuma. Não vamos como somos, não ficamos como pensamos, não voltamos porque não há retorno. Se não nos comportarmos à altura de um ser inteligente que, não percebe o quanto deixa a desejar em tudo que pode realizar de bem estar para si e seu semelhante, merecida se torna a ignorância envolvente à tapar-lhe os olhos e a provocar constrangimento ante fatos que ajudamos para que se dêem. Para nós humanos não existem mistérios a ser desvendados, não existe deixar de ser feliz no presente para ser somente no futuro, o que existe é a necessidade de se cultuar o respeito ao próximo, isto feito, estaremos, seremos absolutos no mérito ambicionado de especiais e selecionados. Digo selecionados, não por acreditar sermos exclusivos, mas, pelo conjunto bem sucedido em que o universo se encontra em nós. ( uma sugestão, que tal iniciarmos uma campanha para criar o dia universal real do respeito ao semelhante?)  

Não galgas o degrau da felicidade?

Ah!...Realidade. 


A eterna busca do homem pela felicidade sem encontrá-la, pelo menos parcialmente, sem saber por que se torna impossível contatá-la, prossegue guiado pelos impulsos das emoções e valores que criamos moral ou materialmente. Assim, não há  de concretizar-se tal desejo e sonho constante: Do mesmo modo, como divaga em busca das certezas com seus erros de interpretação, fundamentados quase que exclusivamente em condicionamentos, também lenta é a forma aplicada que o escraviza à duras penas sem compreender o porquê de tantos dissabores entre países, no mesmo país, quase sempre com a própria família e amigos: Se de tanto é capaz de bom, realizar, por ser racional, fica claro que a falha está tão próxima que não percebemos. Reavivaram em mim nestes dias, minha esperança, confiança e paz nesta forma de vida habitante deste planeta, firmando a dignidade de se encontrar na liderança racional entre as espécies. Aos fomentadores, divulgadores de descrédito e meticuloso trabalho em fazer-se crer ser o ser humano, incapaz de se cuidar, não ser capaz de merecer confiança de seu próprio semelhante, nem mesmo propiciando a si mesmo, uma educação comportamental à altura de racionais sociáveis, eu digo: Por milhares de anos a passividade das massas foi manipulada por aqueles entre outros que, teimam em afirmar ser estúpido o homem que acreditar em outro homem: Segundo antropólogos, surgimos no continente Africano, em sequencia digo eu, as mudanças, embora em atraso, se dão no Brasil no momento. Fica claro no presente, no teatro da vida não existir mais lugares para faraós, inicia-se o processo de quebrar a corrente alimentadora da exploração do homem pelo homem. Para quem defende a utopia de não ser capaz o cidadão de defende-se, enganou-se; Somos todos iguais não somente em teoria, também no trabalho, nos essenciais, para produção, lazer e usufruto. Tomada à consciência de não ser suficiente à força da opressão e condicionamentos de formas várias, um cidadão acreditou no outro, se uniram e foram às ruas para dizer basta. Quando não entendemos um tema abordado ou desconhecemos seu sentido, mesmo assim tentamos dar nosso parecer: É preciso entender a necessidade da existência de regras sociais, apesar de, mesmo sem elas a vida continuar; e quantas vezes, pensando ter domínio de um assunto específico cometem-se erros com conclusões de análises pré-concebidas. Para que a terra permaneça fértil, a chuva repetitiva tem sua importância. Seria ótimo que os seres humanos encontrassem seu caminho de equilíbrio, ordem e justiça prática, advindo de sua sabedoria interior, sem ficar na dependência de condicionamentos de origem externa a teu ser: Se isso for permitido tornasse-a um escravo. Para mim, melhor que a conquista espacial, tive o prazer de vivenciar a atitude dignificante de uma geração que desperta de um maléfico torpor de indiferença e, saem às ruas dando um novo e irreversível rumo à sociedade. Prédios se reconstroem: Destruir patrimônio público é apoderar-se do emprego de estadista e viver como parasita devorando tudo que estiver ao alcance, tendo como escudo a imunidade, a boa fé das pessoas e a força da repressão. O verdadeiro patrimônio de uma sociedade a ser conservado é o Cidadão, que se encontra muito além de símbolos, argamassa e exploração... 
Exemplo maior de desrespeito e prova irrefutável da não qualificação para o emprego de presidente do senado, pudemos testemunhar recentemente, fora os acontecimentos, escândalos publicados pela imprensa, comentados pelos meios de comunicação como radio e TV, suas palavras dirigidas com arrogância, prepotência, uma afronta  similar à um golpe na face de todo Brasileiro fiel ao seu país, sua comunidade e família: À não devolução aos cofres públicos dos valores citados...         

Maná...Átomo, Internet.

Eternamente presente, circulando por infinitos condutores ou não quando, em repousa na estrutura, na massa de um corpo solido ou nos gazes. Podemos citar vários motivos, razões para a vida existir, mas , sem átomos...Nem mesmo os motivos existiriam. Em estudos, da molécula chegamos ao átomo, e o mesmo encanta gerações. Não sentimos um choque brando ou às vezes fatal por descuido ou estarmos molhados, é a diferença de potencial energético buscando seu equilíbrio. Imagina; o racional perdendo para o elementar na busca pela harmonia. Apesar de aproximadamente segundo pesquisadores, em nossa forma, termos surgidos há pelo menos no mínimo duzentos mil de anos, continuamos como os primitivos jacarés de cento e oitenta milhões de anos; que apesar encouraçados e da força física, continuam sendo devorados por cobras, além de às vezes devorarem filhotes da mesma espécie. Problemas frequentes com qualquer cidadão, ou seja, exploração, guerra, desigualdade na participação de bens produzidos pela sociedade, de forma direta tem responsabilidade todos os outros seres humanos do planeta. Coloco desta forma por simplesmente não sermos  jacarés; somos legais...Inteligentes, somos pintores de parede, advogados, pedreiros, agricultores, juiz de futebol, de direito, em todas as áreas exitem especialistas, um profissional. Ao que parece se deve estar atento ao malicioso comportamento egoísta, egocêntrico e estupido, transparecendo a frágil  e doentia atitude dos parasitas sociais.  Notemos, equilíbrio é o que se tem buscado o civilizado em todas as áreas, não seria assim? Inclusive ao da justiça social: Mas se não for, pelo menos é assim que se apresenta todo grupo ou ordem que surge com uma bandeira do representar o bem.Todos nós temos nossas funções coletivas, porem, fora de nosso expediente e horário de trabalho, não há, não se deve considerar a função individual como recurso distinto de validade para se obter diferenciação de tratamento. Pois se assim se fizer, estaremos frente a situações de viver por e com influencia, o que de forma alguma é benéfico para os seres humanos. Lembrem-se dos vegetais, de um pé de pinheiro não nascera uma rosa; lógico? Sem duvida alguma , tratando-se de genética sim, Entretanto os vegetais não possuem intelecto, pelo menos a nível observável: O que talvez pudesse ser mais um erro pré-concebido imaginar que no cosmos, as formas de vida diferenciadas também não teriam recursos para organizar ou modificar o meio sem uma razão. Deixando a genética de lado quanto a humanos gerarem humanos sempre; cometer, repetir erros. deixar-se guiar ou intimidar, é analogamente ser um vegetal, tipicamente portar-se como uma máquina biológica sem inteligencia. Existem areias, os mares, os insetos, as luas em alguns planetas, raios, trovões, filhotes de lagartixas: Fatos permanentes como fenômenos energéticos terrestres, procriação das especies, movimentos das águas. Nós humanos...Existimos, assim como tudo mais, nem mesmo precisaríamos inclusive, sermos dotados de de um cérebro tão complexo, perfeito e maravilhoso para com ele, sermos cúmplices nas vicissitude das guerras, das explorações e induções à servidão das massas. As hienas organizam-se em grupos, atacam, devoram, trucidam suas presas vivas ainda: Absurdo, terrível isso? Não é de terror que estou aludindo, elas não são violentas nem mesmo tem culpa alguma, o comando da vida em seu genes é mais forte que o amor que convencionalmente adotamos pelo menos ocasionalmente. São tão vítimas da violência quanto suas presas; sentem a perda de seus semelhantes, entristecem-se quando feridas. Lembrando, elas elas continuam existindo graças à genética, embora brutalmente, visto seu comportamento com nossos olhos. Privilegiados, somos completos para termos uma vida em plenitude igualmente em todos os cantos deste planeta, sem pugnas, delinquências, e repreensões.  Os genes cuidam de nosso corpo garantindo sua integridade e continuidade; entretanto com o intelecto podemos cuidar de nosso bem estar individual e coletivo, isso, se escolhermos entre duas; sermos bons ou maus, egocêntricos ou não. Agora, sobre a internet; não imagino e jamais ousaria nem mesmo mencionar induzir alguém a tomar decisões. Pessoalmente sou de opinião que a mesma de forma alguma deva ser permitida seu controle por nenhuma forma de governo ou sistema, os cidadãos de todo planeta deve intervir, não ceder a tal controle.  A internet, fazendo bom uso da mesma, obtém-se conhecimentos, aproxima as pessoas, os pensamentos, é útil a todos sem restrição. Só passa a representar um terror, para aqueles que vivem desesperados para não perder o freio dos pensamentos e criatividade do ser humano como ser inteligente...