O sucesso de uma nação não pode ser medido apenas por índices econômicos ou poder militar, sobretudo quando a maioria de seus cidadãos — ou os povos que ela submete — não usufruem minimamente da riqueza que produzem. Há uma perversão conceitual quando se chama de “prosperidade” um sistema que depende da miséria alheia para se sustentar.
Os cidadãos do mundo, na maioria, não se dão conta do equívoco histórico que cometem ao tolerar — ou apoiar passivamente — as interferências de grandes potências nas políticas internas de Estados soberanos. Sob o disfarce retórico de libertadores e paladinos da justiça, tais intervenções repetem um padrão antigo: destituem governos indesejados, sequestram bens públicos, desestruturam sociedades inteiras e deixam como herança o caos, a dependência e a miséria.
Nenhum presidente age sozinho. Essas decisões envolvem elites econômicas, setores políticos, corporações e Estados cúmplices. Mas é impossível ignorar a responsabilidade moral de populações que, mesmo cientes, recusam-se a deixar de privilégios construídos à custa do sofrimento de outros povos. Mortos à distância não causam incômodo; sobreviventes, quando não exterminados, torna-se mão de obra barata — uma forma moderna de escravidão funcional.
Os venezuelanos, como outros povos antes deles, enfrentam erros difíceis de ignorar. O primeiro foi tolerar, por tempo demais, irregularidades internas, esquecendo que ditaduras não se sustentam apenas por um líder, mas por redes de apoio, omissão e conveniência coletiva. O segundo — ainda mais grave — é acreditar que um invasor externo, movido por interesses próprios, possa resolver problemas internos sem impor um preço devastador à soberania e à dignidade nacional.
A história recente é clara. A Líbia, após a intervenção estrangeira, tornou-se um dos Estados mais frágeis do mundo: fragmentada, insegura, economicamente degradada e dependente de ajuda humanitária. O Iraque, apesar da riqueza petrolífera, permanece com índices alarmantes de desemprego juvenil, sofrimento psicológico coletivo e instabilidade crônica. A promessa de liberdade nunca se concretizou; apenas mudou de discurso.
Diante disso, impõe-se uma obrigação ética inescapável: a evolução intelectual. A racionalidade não é um privilégio de elites — é uma capacidade humana universal. Somos, por natureza, cooperativos e interdependentes; não sobrevivemos isolados. Contudo, é precisamente por pensarmos que podemos ser livres. Liberdade não é ausência de vínculos, mas responsabilidade consciente pelo que aceitamos, apoiamos ou toleramos.
Pensamentos não têm fronteiras. Antes de qualquer guerra, vieram ideias. Antes de qualquer dominação, veio a renúncia ao próprio pensar. A maior tragédia humana não é a violência em si, mas a delegação da imaginação — permitir que outros pensem, decidam e sonhem em nosso lugar.
Enquanto alimentarmos medos, mitos e narrativas que descrevem o ser humano como irremediavelmente pecador, incapaz ou desprezível, continuaremos retardando nossa própria maturidade civilizatória. Essa visão já custou milênios de atraso, justificou guerras, normalizou a barbárie e ensinou gerações a aceitar o inaceitável como destino.
“Meu país não está em guerra. Estou seguro. Tenho grades em casa.”
Mas a pergunta permanece: as grades protegem você — ou protegem os outros de você?
Acredito, profundamente, na força criativa e na capacidade de superação da humanidade. O que nos aprisiona não são limites naturais, mas bloqueadores mentais cultivados deliberadamente. Quando aceitarmos plenamente nossa capacidade de pensar, imaginar e agir à altura do que somos, a dominação deixará de ser possível — não por força, mas por consciência.
Venezuelanos, o problema de vocês, não se encontrava no líder Maduro, mas em vocês. Como seres humanos normais, imagino, esperavam por melhoras, mas uma nação, somente esperando, não se constrói melhorias. Se não reagirem, nesta democracia capitalista que lhes oferecem de graça, atenção ao patrimonio de vocês.
Estrangeiros, como hienas e leões devorando suas presas vivas, assim, farão com seus recursos e bens naturais. Em pouquíssimo tempo conhecerão países com cara de bonzinhos, fazendo altos investimentos em sua Pátria, confirmando mais uma vez outro erro.
Esta invasão de seu território, nada de humanismo foi razão de ser, é o petróleo o interesse. Acreditem, vocês unidos, são muito mais capazes que se imagina. De suas atitudes hoje, dependem suas gerações futuras. Nada de atrito ou divisão entre vocês. Sem controle de seus patrimônios serão escravos. Que a paz não tarde para vocês.
red9juarez