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Está com pena? Leve para sua casa.

 



É isso que se repete continuamente, com políticos e alguns líderes filosóficos: indutores de comportamentos, manipuladores de humanos displicentes, que apreciam a ociosidade desde que não recaia sobre eles mesmos — nem sobre seus familiares. Escravizar o outro nunca parece problema quando o conforto pessoal está preservado.

É a velha lógica: minha casa está bem, que os outros resolvam seus próprios problemas.
Quando políticos ou autoridades de qualquer setor público cometem crimes, em vez de responderem prontamente às leis civis e ao princípio da igualdade, transformam-se em manchetes espetaculares. Consomem tempo, atenção e energia de uma sociedade que já tem urgências demais.

O Estado é composto por pessoas comuns.
Não há nada de especial nelas que as coloque acima do restante da população. A posse de cargos, títulos ou grandes valores não altera o caráter. O que se revela, na maioria das vezes, é o querer sem limites — terreno fértil para abusos, corrupção e golpes travestidos de normalidade.

Golpistas surgem sob diferentes discursos. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, ao implantar o chamado Plano Real, aplicou um golpe silencioso em milhões de brasileiros. Mesmo com uma mente limitada, é possível compreender que simplesmente mudar o nome da moeda não devolve seu valor real e justo. Se assim fosse, bastaria renomear a moeda todos os anos. Tratou-se de uma camuflagem econômica.

Collor de Mello, de forma análoga e igualmente criminosa, reteve valores da poupança dos cidadãos. Golpe, sim. Em um regime democrático, poupar nunca foi crime. A democracia, inclusive, é celebrada justamente por permitir liberdade econômica e segurança patrimonial. A retenção compulsória de recursos foi uma violação clara desse princípio.

Bandidos disfarçados de mantenedores da ordem devem ser punidos sempre — e sem demora.
A tolerância institucionalizada revela a falência do raciocínio ético, humano e compatível com qualquer ideia de evolução social.

Expressões como “está com pena? Leva para sua casa”, ditas diante de um cidadão ferido durante uma detenção, são provas dessa degradação moral. O mais afortunado raramente percebe que aquele que sofre é, na maioria das vezes, resultado direto das anomalias sociais produzidas pelo próprio sistema que ele defende ou ignora.

Indiferença não é neutralidade.
É cumplicidade silenciosa.

Enquanto líderes falham moralmente e massas são condicionadas à passividade, a injustiça se repete, se normaliza e se perpetua — até que alguém se recuse a aceitá-la como destino.

red9juarez


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