O ciclo bárbaro da violência legitimada.
Há acontecimentos no mundo que não é novidade — apenas repetição. Estados Unidos e países aliados seguem protagonizando ações que atravessam a história das civilizações: a busca por supremacia, dominação e controle, ainda que disfarçada por discursos de ordem, liberdade ou progresso.
Em todas as épocas existiram líderes e grupos que ocuparam posições marginais à ética humana, movidos pela ânsia de impor poder — nem sempre territorial, mas psicológico. Desde cedo, ao ingressar nesta realidade chamada vida, somos apresentados a “verdades” que se pretendem absolutas, mas que, na prática, funcionam como rédeas: mecanismos de controle social que impedem o indivíduo de conduzir a si.
A violência, nesse contexto, não surge por acaso. Ela é cultivada, normalizada e até celebrada. Na Roma Antiga, gladiadores lutavam até a morte para entretenimento público. Na Grécia, o pancrácio (pankration) combinava boxe e luta livre com pouquíssimas regras, resultando em ferimentos graves e mortes. Em tempos mais recentes, práticas como touradas, rinhas de galos e rinhas de cães continuam expressando a mesma lógica predatória — mesmo quando já condenadas por leis e pela ética moderna.
O Calcio Storico, em Florença, permanece como símbolo histórico de uma competição extrema, violenta, que outrora custou vidas humanas. Embora esportes de combate modernos, como boxe e MMA, sejam hoje regulamentados, com regras, equipamentos de segurança e supervisão médica, isso não significa, automaticamente, que representem um avanço moral ou civilizacional. Modernidade não é sinônimo de evolução ética.
Essa mentalidade violenta ecoa diretamente nas práticas políticas contemporâneas. A postura do atual líder norte-americano — sustentada por alianças históricas de exploração — revela a persistência da lógica imperialista: invasões, intervenções e tomadas de soberania justificadas por interesses econômicos e estratégicos.
Nenhum líder é dono de uma nação. A Venezuela, por exemplo, pertence aos seus cerca de 28,5 milhões de habitantes. Pessoas reais, com histórias, cultura e direito à autodeterminação. Nenhum povo pode ser tratado como peça descartável em jogos geopolíticos. Cultura e política interna devem emergir da participação dos próprios cidadãos — não da imposição externa.
Potências capitalistas que vivem da exploração deveriam produzir seus próprios bens, investir em trabalho legítimo e abandonar a prática viciada de saques globais disfarçados de acordos internacionais ou “missões de paz”.
Enquanto tradições violentas forem preservadas e a competição for exaltada a qualquer custo, a paz continuará sendo apenas um discurso vazio. Esportes violentos e incentivos à vitória a qualquer preço semeiam nos corações das crianças a ideia de que vencer justifica destruir — e até matar.
É preciso romper esse ciclo bárbaro.
O que se observa hoje é uma profunda falta de vergonha ética: atitudes covardes que passam sobre povos inteiros como rolos compressores, destroem estabilidade social e, depois, se apropriam de bens que jamais pertenceram a qualquer líder.
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