A dor física é natural a toda criatura biológica dotada de sistema nervoso — acredito eu. Mas não podemos afirmar se a contração diante do frio extremo ou do calor intenso é, em todos os seres vivos (inclusive vegetais), uma reação à dor ou apenas um mecanismo de sobrevivência.
Nós, humanos, seguimos uma regra quase perfeita na constituição física — e, por consequência, no psíquico. Não há um “início, meio e fim” definido; somos um processo contínuo. Com o tempo, nossos corpos se adaptam ao ambiente, buscando facilitar o movimento, a existência, a sobrevivência.
Há em nós uma semelhança inegável com a ordem dos corpos celestes: podemos comparar o campo gravitacional ao nosso egocentrismo. Ambos são forças de atração centrípeta — o primeiro, físico; o segundo, psicológico.
Assim como a gravidade mantém planetas e galáxias em equilíbrio, o egocentrismo humano atrai tudo para si — como se fôssemos o centro real de um universo pessoal. Mas, diferentemente da gravidade cósmica — que garante ordem —, nosso egocentrismo é um reflexo de vaidade: uma distorção da inteligência, que nos faz acreditar sermos especiais, exclusivos, merecedores de atenção acima de tudo.
A história da civilização nos mostra: os maiores exageros e erros surgem quando, ao ultrapassar o primitivo, usamos a inteligência não para harmonia, mas para afirmação individual. Com recursos limitados, evoluímos mais do que com toda a força da imaginação à nossa disposição — porque escolhemos, repetidamente, o ego em vez da coletividade.
Parte 1
red9juarez
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