Grilagem no Pará e mais Estados Brasileiros.
Grilagem de terras e distorções sociais no Brasil
A grilagem de terras em áreas rurais, especialmente no estado do Pará — mas também presente em diversos outros estados brasileiros — revela uma realidade que, se investigada com seriedade, causaria indignação profunda na população consciente do país.
Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), conduzida com rigor, não precisaria recuar cem anos na história. Bastaria analisar o presente: proprietários ilegais, invasões estruturadas e a consolidação de terras obtidas por meios questionáveis. O que viria à tona seria uma situação revoltante para qualquer cidadão comprometido com a justiça social.
Sem conhecimento aprofundado e sem um verdadeiro interesse nacional, torna-se fácil distorcer a realidade: pequenos produtores e nativos, que buscam apenas terra para cultivar e sobreviver, são frequentemente rotulados como baderneiros ou até terroristas.
Mas é preciso questionar: quem, de fato, pratica o verdadeiro terrorismo?
Terrorismo não é a luta por sobrevivência. Terrorismo é o exercício do poder por meio da influência corrupta — é subornar, manipular, utilizar cidadãos comuns como “laranjas” para encobrir interesses maiores. É distorcer a realidade política e social enquanto se projeta uma falsa imagem de integridade.
Terrorismo é permitir e sustentar um sistema que viabiliza a apropriação indevida de terras que pertencem, em essência, ao povo brasileiro.
A grande produção agropecuária, sem dúvida, gera riquezas. No entanto, grande parte dessas riquezas é direcionada ao exterior, sem retorno proporcional à população. Recursos naturais — sejam minerais ou alimentares — são explorados conforme interesses de lideranças políticas e econômicas, muitas vezes priorizando vantagens pessoais em detrimento do bem coletivo.
Diante disso, torna-se evidente: somente interesses particulares poderiam justificar a retirada do acesso do povo à terra, ao alimento e à dignidade.
Enquanto isso, governantes que deveriam zelar pelo bem comum priorizam privilégios, altos salários e benefícios próprios, negligenciando aqueles que realmente sustentam a base alimentar do país.
E há ainda um agravante silencioso: os desinformados. Muitos, sem base concreta, criticam aqueles que lutam por espaço para trabalhar e sobreviver. Permanecem inertes, como se não percebessem seus próprios recursos sendo escoados para o exterior. Não questionam os alimentos brasileiros exportados a preços reduzidos, nem refletem sobre os reais benefícios dessa dinâmica.
O resultado é uma sociedade que, muitas vezes, se cala diante da própria perda — enquanto poucos lucram, e muitos permanecem à margem.
( Página republicada, corregida)
20/03/2026
Red9juarez