Jamais poderia desconsiderar um contato, uma amizade, com todas as pessoas com quem mantive um diálogo ou convivência.
Com o tempo, compreendi a importância de tudo e de todos que nos cercam — estejam próximos ou não. Sou grato por cada aprendizado que a vida me permitiu receber. Somos mais do que nossas funções.
Independentemente da ocupação, não somos apenas executores de
tarefas. Nos desdobramos em duas dimensões inevitáveis: de um lado, o profissional; do outro, o ser humano que existe além do trabalho — e que, muitas vezes, é negligenciado.
É justamente esse “eu” esquecido que nos proporciona os momentos mais genuínos de realização.
Valorizamos o coletivo — e ele é essencial —, mas principalmente no que diz respeito à organização social e divisão de responsabilidades.
No campo das ideias, porém, quase todo pensamento encontra oposição.
Há um hábito recorrente: posicionarmo-nos como detentores da razão. Isso enfraquece as relações humanas.
Quantas conversas começam como troca e terminam como disputa?
Ouvimos pouco. Interrompemos muito. Redirecionamos o diálogo para reafirmar nossa própria visão.
Por outro lado, também não se trata de aceitar tudo passivamente.
O equilíbrio está em saber ouvir com atenção e falar com consciência.
Não permitir que condicionamentos e impulsos se sobreponham à razão.
Uma conversa não é um confronto. Não é uma situação de sobrevivência.
É, antes de tudo, um espaço de construção.
Quando alguém fala, já carrega um raciocínio estruturado. Interromper é quebrar esse processo.
Ouvir até o fim é respeitar — e também aprender.
Se houver discordância, que ela venha depois, com reflexão — não como reação.
