“Enquanto muitos aceitam viver dentro das ilusões criadas por outros, poucos possuem coragem suficiente para retirar a venda dos olhos e encarar a realidade.”
Diferentemente de nós, humanos, os animais, conforme fomos ensinados, existem para servir às nossas necessidades, submetidos à servidão e destinados a tornar-se fonte de alimento. Essa interpretação do inexplicável, marcada pela vaidade humana, coloca o homem em um patamar de exclusividade dentro da criação e, sobretudo, como criatura superior. No entanto, trata-se de um equívoco bestial, pois, ao observarmos a natureza, percebemos que nada há em nós de verdadeiramente especial.
Grande parte dos conceitos que sustentam nossa realidade foi criada por alguns e aceita por muitos. São construções tão distantes da verdade que quase nada do que edificamos em nossa superficialidade demonstra coerência real, e, ainda assim, continuamos aceitando mentiras por conveniência. Nossa realidade superficial mostra-se completamente adversa à realidade paralela da existência; a maioria das pessoas deixa-se conduzir sem perceber que o medo, em sua função original, preserva a vida. Essa é sua verdadeira finalidade biológica.
Entretanto, dentro da realidade fictícia na qual convivemos, criam-se zumbis sociais. A humanidade passa a existir como personagem de uma grande fábula coletiva. Mais do que induzir comportamentos, busca-se convencer todos de que somos os seres supremos das galáxias, enquanto, paralelamente, transforma-se a humanidade em um vasto batalhão de criaturas servís — escravos e prisioneiros de suas próprias negligências — por não assumirem suas responsabilidades como seres coletivos dotados de inteligência.
Reflexões como esta, relacionadas às contradições humanas, inevitavelmente geram desconfortos e conflitos; porém, muitos deles poderiam ser evitados se o bom senso fosse aplicado de forma prática e constante, visando à preservação e à melhor manutenção da vida.
Para a humanidade, já passou do momento de compreender que a vida somente terá valido a pena se, além de ser vivida em cada etapa de nossa evolução existencial, também for honrada por meio de nossos próprios feitos. Viver é uma manifestação natural do universo ao qual pertencemos e, se não buscarmos compreendê-lo por nós mesmos, individualmente, muito menos outros o compreenderão por nós.
Nossas vidas permanecerão eternamente vazias enquanto continuarmos atribuindo todas as respostas e sentidos a outras mentes. Tire a venda dos olhos, conscientize-se, seja você mesmo e questione sempre aqueles que lhe oferecem paz, mas exigem bens em troca. E jamais se esqueça: entre os seres humanos não existem melhores nem piores, especiais ou inferiores.
red9juarez